Ter pré-socráticos como referência para certa linha de pensamento foi o tom do século XX, sobretudo nas suas primeiras e nas últimas décadas. O surgimento e a retomada da filosofia heideggeriana contribuíram para que um pensamento paralelo ao platônico mantivesse a caminho. Os primeiros fragmentos que me chegaram, salvo engano, foram os de Demócrito, quando ainda estudava química orgânica na década de 80. Criei um balanceamento de equação por meio de sistema muito efetivo, na época. Heráclito chegou tempos depois com o estudo da filosofia e, hoje, transito na radicalização de Crátilo sem esquecer-me das lições de Empédocles, que foi bem dissecado em minha tese com o auxílio da leitura de Jean Bollack. O termo pré-socrático já me caiu mal. Soava-me por demais preconceituoso. Mas, após a investigação cuidadosa, cheguei à conclusão que esta catalogação é muito pertinente já que realmente precede à maiêutica. Bollack afirma – aqui exposto grosso modo, pois essa escola francesa tem muitos desdobramentos – que, no caso de pré-socráticos, há que se estudar o universo do pensador a partir de um discurso próprio a ser desvendado. Estendo muito e chego a inverter esse pensamento do filólogo, considerando ser necessário estudar um autor, qualquer que seja ele, por seu vocabulário de modo cuidadoso para alcançar seu universo. Ainda utilizo esta edição bilíngue (que sempre prefiro às traduções) da Calouste Gulbenkian.
Lectos
Lectos são formas de leitura, diversas formas de leitura. Ordeno meu trajeto leitoral pela instrução de Goethe em suas orientações fáusticas: "O que herdaste de teus ancestrais é preciso adquirir para possuir".
terça-feira, 18 de maio de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
A metafísica sob a pena de Kant
Kant é referência para toda e qualquer tentativa de desenvolvimento do pensamento e da reflexão modernos. Não é possível compreender qualquer pensador sem que se conheça minimamente, mesmo que superficialmente, as bases do pensamento kantiano. É bom guardá-lo como referência para entrecruzamentos. Descobri, se não me engano em 1993, em um livro sobre história da filosofia o que era estudar um pensador lendo sobre Kant. Deitada na cama – quando ainda me deitava com os livros – tendo o grande e antigo livro preto em minhas mãos, não o tenho mais, pois não consegui restaurá-lo, observei o mundo de Kant tomando forma frente aos meus olhos e descobri que na verdade o pensamento filosófico é mais uma tentativa, entre tantas, de descrição de mundo. Muitos anos depois, dediquei-me profundamente ao estudo de Kant. Primeiramente, às suas três Críticas, das quais considero a primeira fundamental e as outras um desenvolvimento. Só não consegui deglutir as Antinomias da Terceira Crítica. Ao invés disso, e traçando outro percurso, fui descobrir os vieses da metafísica em sua imbricada construção e na crítica velada de Kant ao seu desenvolvimento em Prolegômenos a toda metafísica futura (1783). De fato, como atestei em outra parte, a máxima de Voltaire guiou Kant: “Quando aquele que ouve não sabe o que aquele que está falando quer dizer e quando aquele que fala não sabe o que ele próprio quer dizer , isso é metafísica”. É claro que o alemão não cedeu ao sarcasmo francês, mas criou o seu próprio modelo de ironia em seu conselho aos pensadores de então para fazerem uma parada em seus trabalhos e antes de tudo levantarem a questão de saber “se decididamente uma coisa tal como a metafísica é ao menos possível”. Utilizei estas edições da Vrin que considero honestas:
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Emmanuel Kant
sábado, 13 de março de 2010
Bioenergética
Não será tão difícil assim compreender o interesse pelo trabalho de Lowen se a leitura levar ao entendimento que os sentimentos são percepções de movimentos no organismo e, hoje em dia, frente à tendência tão acentuada de manipular o pensamento e comportamento das pessoas através das palavras e imagens, os sentimentos são uma fonte informativa crucial. Todo comportamento reativo origina-se em uma interferência com o fluxo dos impulsos. A base de Reich da Bioenergética compreende o conceito de energia, a linguagem do corpo, a questão do prazer e a condição da realidade como um direcionamento secundário. Minha leitura deu-se em1992. Desde então, experimento de forma consciente o que vulgarmente a medicina taxa de condição psicossomática e venho aprimorando minha investigação neste campo. A medicina desconhece o que um relacionamento integrado corporal entre o psíquico e os sentimentos pode proporcionar para quem alcança o nível de autoatualização, dispensando remédios em geral. O medicamento e a medicina passam por uma visada prismática na arte de simplesmente se tratar bem. A alopatia fica restrita com muita parcimônia a momentos de extremo desequilíbrio, pelos quais inevitavelmente se passa no processo de autoatualização. Mas um mergulho profundo nos recônditos é imprescindível. Ao chegar à compreensão de seu próprio funcionamento interno em sua relação com o entorno, o desequilíbrio passa a ser não mais que um pequeno degrau e a medicina muda completamente de figura. A Bioenergética foi uma ferramenta essencial neste trajeto.
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Alexander Lowen
quinta-feira, 4 de março de 2010
Desumanização da Arte
Um pouco depois de analisar a primeira edição de suas Obras Completas na Espanha (1947) na biblioteca, andando por sebos, ainda nas ruas do Rio de Janeiro, em 1999, na época em que ainda os frequentava, encontrei este exemplar de Ortega Y Gasset. Ultimamente, sebos, livrarias e bibliotecas me são deveras desagradáveis! O que mais me encanta na obra do autor é, sobretudo, sua compreensão da metáfora e do mundo como um grande museu. A desumanização da arte não é mesmo para a compreensão de qualquer um: "llevarlo por el camino más corto a la plenitud de su significado". Vejamos o quanto de abobrinha será dito a respeito! Ah, claro que uso ex-libris para me prevenir dos possíveis saques!
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José Ortega Y Gasset
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A Base do Sistema Aristotélico
Referência imprescindível, estudo que não pode ser realizado sem conjugação. E nisto está incluída tanto a gramática quanto a própria ciência. Toda questão é encontrar no sistemático filósofo o processo de abstração (άφαίρεσις). Nem imagino a quantidade de bobagem que será dita a respeito. Nós, eu e Aristóteles, rimos por antecipação. E, neste caso, riremos por último também. As edições em linha são realmente interessantes.
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Aristóteles
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Teoria da Natureza
Ah, a Teoria da Natureza de Goethe! Leitura que me emociona! Em linha, tradução espanhola que está sendo avaliada. Dos conceitos essenciais a serem compreendidos, tem-se primeiramente Erscheinung com seus diferentes complementos. Após esta compreensão do Princípio, pode-se entender melhor o que significam no contexto goetheano original Bildungstrieb, Kunsttriebe, Gestalt; as três vias: vis centrifuga, vis centrípeta , vis essentialis e Urtausend. Eu diria que Fausto vendeu a alma para Nietzsche, mas não vou dizer porque posso ser excomungada se contar sobre o negócio. Quem acreditaria na Verdade? Lanço um desafio!
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Johann Wolfgang von Goethe
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Verdade e Método
Leitura obrigatória para qualquer estudioso que se preze é Hans-Georg Gadamer. Nada digesto, diga-se de passagem. A leitura de Gadamer exige atenção e um tipo de sagacidade específica para que se entenda de fato os conceitos de "consciência histórica", "horizonte histórico", "arte perene e arte transitória", o próprio conceito de "Belo" e, sobretudo, sua leitura específica do conceito de representação que tem a ver diretamente com a condição de presença de Cristo, isto é, o conceito de corpo presente. Raro é encontrar quem realmente entenda do riscado gadameriano! A leitura há muito me acompanha, e foi obra essencial indicada por meu orientador, Ronaldo Brito Fernandes, em minha dissertação de mestrado (a qual proíbo a publicação ou a reprodução total ou parcial, é bom avisar, pois trata-se de work in progress).
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Hans-Georg Gadamer
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