terça-feira, 18 de maio de 2010

Pré-socráticos

Ter pré-socráticos como referência para certa linha de pensamento foi o tom do século XX, sobretudo nas suas primeiras e nas últimas décadas. O surgimento e a retomada da filosofia heideggeriana contribuíram para que um pensamento paralelo ao platônico mantivesse a caminho. Os primeiros fragmentos que me chegaram, salvo engano, foram os de Demócrito, quando ainda estudava química orgânica na década de 80. Criei um balanceamento de equação por meio de sistema muito efetivo, na época. Heráclito chegou tempos depois com o estudo da filosofia e, hoje, transito na radicalização de Crátilo sem esquecer-me das lições de Empédocles, que foi bem dissecado em minha tese com o auxílio da leitura de Jean Bollack. O termo pré-socrático já me caiu mal. Soava-me por demais preconceituoso. Mas, após a investigação cuidadosa, cheguei à conclusão que esta catalogação é muito pertinente já que realmente precede à maiêutica. Bollack afirma – aqui exposto grosso modo, pois essa escola francesa tem muitos desdobramentos – que, no caso de pré-socráticos, há que se estudar o universo do pensador a partir de um discurso próprio a ser desvendado. Estendo muito e chego a inverter esse pensamento do filólogo, considerando ser necessário estudar um autor, qualquer que seja ele, por seu vocabulário de modo cuidadoso para alcançar seu universo. Ainda utilizo esta edição bilíngue (que sempre prefiro às traduções) da Calouste Gulbenkian.

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